“Semente: improvisar cantando em tempos de coronavírus”

Por Séchu Sende dentro da nosa Rede Galega de Videoblogues

A Escola de Ensino Galego Semente é umha escola comunitária e autogestionada. Nom é umha escola pública nem privada. É outra cousa: nasce do movimento social, é umha escola popular, do povo e para o povo. Como organizaçom funciona com autoorganizaçom: tem mais a ver com um sindicato, umha escola do Movimento Sem Terra ou com os Grupos de Apoio Mútuo que se autoorganiçam na crise do coronavirus porque nom há mais remédio. Obrigad@s polas circunstâncias.

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Nascemento da Semente

A Semente nasce porque o sistema educativo autonómico, dependente do estado espanhol, condena a maioria das crianças -desde há mais de 40 anos e antes, claro- à desgaleguizaçom e à espanholizaçom, especialmente nas cidades. O sistema educativo desgaleguiza o alunado galego-falante -eficazmente em urbes e vilas- e impide que o alunado habitualmente castelám-falante adquira o nosso idioma com normalidade. As cifras dos últimos estudos som asustadoras: um de cada catro menores de 15 anos nom sabe falar galego.

Por isso nasceu a Semente, por necessidade. Como um Grupo de Apoio Mutuo. Para valer-nos entre nós. Porque há umha geraçom de pais, nais e ativistas que preferem criar um modelo educativo novo que continuar participando da violência do sistema que tam bem conhecemos. Um modelo novo do que se beneficiam e beneficiarám as crianças de todo o país, independentemente do seu grao de participaçom no projeto.

O modelo da Semente

Este modelo é fruto da combinaçom do modelo de imersom linguística, para o alunado nom galego-falante, e o modelo de proteçom lingüística, para o alunado galego-falante habitual. Nom é algo original. Euskal Herria, Quebeque, a Bretanha ou Nova Zelándia, entre muitos outros povos, ativarom escolas como a Semente por todo o planeta. Escolas de povos com língua minorizadas que se organizam para transmitirem o seu idioma e identidade.

Semente é escola feminista, laica, científica, vinculada à natureza e à realidade social e, com umha rátio de 12 crianças por profe, adaptada aos ritmos de cada neno e nena. É umha escola que se alimenta com a energia do movimento social, do ativismo e da militáncia. Atualmente há Sementes em Compostela -2 de infantil e 1 de primário-, em Trasancos -1 de infantil e 1 de primário-, na Corunha, em Vigo, em Lugo, e novas venhem de caminho… Ali onde há um pequeno grupo impulsor de ativistas, ali nasce umha Semente.

Umha das atividades que conformam a identidade múltiple da Semente é a improvisaçom oral em verso, a regueifa. Porque a regueifa pode ser revolucionária.

A regueifa

Desde antes de 2016, quando Pinto de Herbón e o seu filho Xairo impartem um Obradoiro para mamás e papás em Compostela, na Semente canta-se improvisando. O alunado regueifa, o professorado recebe cursos e materiais de formaçom e as famílias tenhem na regueifa um recurso para brincar com as palavras, ao alcance da mao. Desde 2017, mesmo há um Obradoiro de Regueifa como atividade extraescolar, onde todas todinhas as quartas-feiras se reúnem crianças de entre 3 e 11 anos para regueifarem.

A Semente forma parte do movimento de defensa da língua deste país e a regueifa é um instrumento de utilidade para a revitalizaçom do nosso idioma. De feito, nos últimos anos, a regueifa ocupou um lugar estratégico no ámbito escolar como recurso de dinamizaçom cultural, linguístico e educativo.

Graças a Pinto de Herbón e Luís o Caruncho, que da mao da Asociación ORAL de Regueifa trouxerom a regueifa ao século XXI, com Josinho da Teixeira ou Bieito Lobariñas, o repentismo atravesou a última década do século passado e chegou a nós. E graças aos seus obradoiros e ao Encontro Escolar de Valadares, aparecerom novas regueifeiras como Alba María e Sara Marchena.

A regueifa entra na escola

No 2016 impulsa-se o Projeto Regueifesta e a regueifa entra na escola. Desde os liceus de Baio e Vila de Cruzes, começa um movimento expansivo e nasce umha nova matéria no sistema público galego, em primário e secundário: “Regueifa e improvisaçom oral em verso”.

É importante que saibamos que podemos aprender a regueifar, que o repentismo nom é um dom divino de persoas escolhidas pola Fortuna senóm umha habilidade própria da nossa espécie, universal, e que todas e todos nós, e especialmente as crianças e adolescentes, podemos ser regueifeiras e regueifeiros: improvisar em verso cantando. E ademais é divertido: a regueifa é umha festa!

E começa a ter presença social um novo movimento: as crianças e adolescentes fam-se protagonistas da improvisaçom oral em verso. E aparecem novos modelos de regueifeiros e regueifeiras. Os referentes já nom vam ser só os velhos regueifeiros de Bergantinhos, ou a regueifa bravu. Viva Xurxo Souto!. Agora as crianças vam descobrir que há crianças a regueifar, a passa-lo bem, a contagiar otimismo e diversom. E começa um contágio entre iguais. E aparecem novos discursos porque a gente nova canta improvisando sobre as suas cousas: Harry Potter, o feminismo, os desenhos animados, os eucaliptos, o rap, o entruido, a escola, o fútebol gaélico, as redes sociais ou, tamém, a independência da Galiza.

Nova Regueifa Feminista

No 2016 tamém nasceu a Nova Regueifa Feminista, quando Alba María, Esther das Lura, Sara Marchena, Noa do Capón e Nuria das Cruzes aparecem improvisando versos lilás no Luar. Sara revelou-nos que o feminismo foi e é o principal motor de atualizaçom da regueifa.

Nesse ano começa a relaçom entre Galiza e Euskal Herria, com o Regueibertso, e intercámbios anuais entre alunado basco e galego, ao que se suma Catalunya fai dous cursos. Nessa linha internacional, abre-se o caminho de relaçom também com os países com os que compartimos a língua: Portugal e Brasil. Alunado galego, da Semente, do IES de Baio e do IES das Cruzes, viajam a festivais à Madeira e a Estarreja.

E paralelamente, a Regueifesta fai trabalho de investigaçom na própria Galiza, descobrindo e socializando dimensons pouco conhecidas do nosso repentismo. Também a Central Folque impulsa com as súas publicaçons este trabalho divulgativo. Ou o programa de rádio A Punta da Navalla. Ou as investigaçons de Xian Naya desde o Novas da Galiza. Ou a AELGA. Ou a apariçom explosiva de Lupe Blanco como regueifeira do torgo velho e das últimas tendências…

Desde o Enreguéifate aparecem nas redes sociais centos de vídeos. E desde diferentes ámbitos, do movimento social ou institucionais, nos últimos anos demandam-se cursos de formaçom para alunado, professorado, pais e mais e para diferentes coletivos por todo o país. Nalgum momento do ano que nom há formadoras e formadores para tanta demanda.

É difícil resumir o que está a suceder em poucas linhas, e é umha mágoa porque era bem necessário fazemos um documentário sobre este movimento coletivo no que está a participar tanta, tanta gente de várias geraçons e de diferentes partes do país. Desculpas para a gente que fica fora deste resuminho escrito. A questom é que este processo de socializaçom do repentismo galego continua a crescer. Há muitos motores a trabalhar e muita energia a se desenvolver.

E desde a Escola Semente seguimos participando neste movimento sociocultural, nesta aventura. Porque queremos mudar o mundo… e estamos a mudar o nosso país, tamém improvisando, entre muitas crianças e gente que leva a criança que foi por dentro.

Acabamos:

Umha iniciativa que reúne muita energia infantil e pre-adolescente é a canle de youtube das Regueitubeiras, um grupo de regueifeiras e regueifeiros que, desde o Obradoiro de Regueifa da Semente, estám a elaborar vídeos divulgativos dirigidos para gente jovem.

Tamém nestes tempos de coronavírus as Regueitubeiras continuam ativas. E desde aqui, agradecendo a Nós TV o espaço, e desde a Semente, queremos compartilhar com vós estas duas iniciativas, pensadas especialmente para as crianças -e famílias- levarem de forma mais humana o confinamento do coronavírus: com humor, deporte e cultura. Improvisando!

Regueitubeiras 4: Regueifing. Com a colaboraçom estelar de Lupe Blanco e do exército norteamericano.

Regueitubeiras 5: O campo de regueifa. Um invento de Maré a Muinheira, antes conhecida como Maré Barbuda e antes como Maré Livre.

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