‘A fronteira será escrita’

Uma reportagem de Vanessa Vilaverde Lamas, Eduardo Maragoto e João Aveledo.

Muita gente pensa que nas zonas fronteiriças, os habitantes dum e doutro lado da raia se entendem bem. Nem sempre é assim, mas a fronteira galego-portuguesa em geral, e particularmente a Baixa Límia e o Gerês, conformam um desses casos. Por motivos, quer linguísticos, quer culturais, os seus habitantes tinham, até há bem pouco, sérias dificuldades para explicar as diferenças que os definiam como pertencentes a dous países de costas viradas.

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Mas o Estado sempre sai vencedor e consegue dar a volta ao mais ancestral dos acervos. A cultura ativa de falar, tocar, dançar e cantar igual que os vizinhos é subjugada agora por outra identidade, mas passiva e acaso também mais poderosa, que consolida a fronteira. Ela vem de longe, armada com as mais poderosas ferramentas para comunicar e atrevendo-se mesmo a renomear os lugares em que as pessoas vivem. O que antes se dizia igual, agora lê-se diferente e a linha divisória torna-se por fim visível. Porém, para muitas pessoas, a escrita continua a ser a única fronteira que elas conseguem ver.

Realizaçom: Vanessa Vilaverde Lamas, Eduardo Maragoto e João Aveledo

Desenho gráfico: Manuel Pintor

Distribuçom: Amém Cinema

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